Projeto Mãos Solidárias distribui alimento e cuidado em tempos de quarentena.

Texto: João Lucas Gama

Voluntária(o) entregando marmita solidária à um homem em situação de rua; lê-se a palavra Hopes (esperança em inglês) tatuado no braço do rapaz. Imagem: reprodução/Campanha.

 

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”, disse, certa vez, o escritor tcheco Franz Kafka. Foi esse sentimento que levou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em parceria com a Arquidiocese de Olinda e Recife, Unificados Pelo Povo em Situação de Rua (grupo que reúne nove ONG’s em prol de uma causa comum), a Frente Brasil Popular, representantes sindicais e outros movimentos sociais a iniciarem uma distribuição de refeições para pessoas em situação de rua do Centro do Recife. A ação vem sendo desenvolvida desde o final do mês de março, no Armazém do Campo (localizado no bairro de Santo Amaro), onde todas as manhãs e todas as noites são distribuídas marmitas solidárias e kits de higiene pessoal composto por sabonetes, escova e pasta de dente, além de absorventes (para as mulheres). A distribuição é feita respeitando todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde a distância entre cada pessoa, até o uso de máscaras e luvas descartáveis.

Moradores do Centro do Recife aguardando a distribuição do café da manhã, em frente ao Armazém do Campo.

Os bairros de Boa Vista, Santo Amaro, São José e Bairro do Recife são áreas de grande concentração de pessoas em situação de rua na capital pernambucana. Diante das medidas de isolamento social para combater a disseminação do novo Coronavírus, ficou ainda mais difícil para que essa população, já tão vulnerável, tivesse acesso não apenas ao seu alimento diário, mas também à higiene pessoal que configura uma das mínimas formas de prevenção contra o Covid-19.

“Num momento em que esperamos que as grandes instituições, organizações e empresas tomem a iniciativa, essa iniciativa veio justamente dos movimentos dos trabalhadores”.

Profª Ywanoska Gama (UFRPE).

Sindicalista Luiz Lourenzon orientando o público.

“Temos tomado a máxima precaução em orientar distância e promover essa questão de que, se tiver alguém com sintomas como dor na garganta, espirro, tosse ou resfriado, procure o Sistema Único de Saúde (SUS) para que não venha a se tornar um vetor de contaminação”, diz Luiz Lourenzon, diretor do Sindipetro PE/PB, membro da diretoria da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e secretário de Movimentos Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tem participado da iniciativa como voluntário, representando a federação. Lourenzon é apenas um entre as dezenas de voluntários que doam tempo e trabalho, tornando possível essa rede de cuidados que não se resume apenas à distribuição de alimentos e disponibilização de locais adequados para higiene pessoal. A iniciativa é apenas uma parte do que foi posteriormente batizado de Projeto Mãos Solidárias, que ao longo deste período de quarentena e isolamento social, vem distribuindo cestas básicas em acampamentos rurais e comunidades periféricas em situação de risco, além de confeccionar máscaras artesanais que servem de equipamento de proteção individual (EPI) para voluntários e profissionais da saúde. Este processo também levou a direção estadual do MST a disponibilizar o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, em Caruaru para, se necessário, servir como hospital de campanha para o tratamento dos pacientes do Covid-19.

“Temos tomado a máxima precaução em orientar distância e promover essa questão de que, se tiver alguém com sintomas como dor na garganta, espirro, tosse ou resfriado, procure o Sistema Único de Saúde (SUS) para que não venha a se tornar um vetor de contaminação”

Luiz Lourenzon (Sindipetro PE/PB, FUP, CUT)
Voluntário orientando o moradores em fila, respeitando a distância de segurança. Imagem: Divulgação/Armazém do Campo.

Para tornar-se voluntário é necessário estar fora do grupo de risco (idosos, gestantes, asmáticos, pessoas com doenças do coração, fumantes e diabéticos) e não apresentar nenhum sintoma da doença (febre, dor de garganta, diarreia e dificuldades respiratórias). Infelizmente, nem todos podem ser voluntários, é o caso da professora do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Ywanoska Gama, que por estar em contato com pessoas que fazem parte dos grupos de risco, encontrou uma outra forma de apoiar o projeto. Ela relata que tomou conhecimento sobre o projeto através das redes socais e imediatamente realizou uma doação financeira através de transação bancária. “Num momento em que esperamos que as grandes instituições, organizações e empresas tomem a iniciativa, essa iniciativa veio justamente dos movimentos dos trabalhadores”, diz a professora.

As doações financeiras são essenciais para que esse trabalho possa ser realizado; porém, não menos importante é a doação de alimentos, materiais de higiene e equipamentos de proteção individual (luvas e máscaras descartáveis, bem como álcool gel e sacos de lixo). Os alimentos que podem ser doados vão desde legumes, verduras e carnes, até alimentos não perecíveis. Essas doações podem ser feitas no Armazém do Campo.

Você também ao Projeto Mãos Solidárias, realizando sua doação através de transferência ou depósito em conta:

Associação da Juventude Camponesa 
Nordestina – Terra livre
Banco do Brasil
Agência : 0697-1   RECIFE
Conta corrente :58892-X
Cnpj: 09.423.270/0001-80

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