Nota de repúdio à conduta da Copergás
Nota de repúdio à conduta da Copergás
O que poderia ser somente uma segunda-feira não imprensada nesta semana de São João, e que não foi concedida pela Companhia Pernambucana de Gás, podem revelar problemas, dando margem a uma interpretação de eventual xenofobia institucionalizada podendo ser interpretada como desrespeito a identidade cultural coletiva do povo nordestino, se agravando ao se somar a uma percepção de uma eventual intencionalidade na manutenção de um ecossistema de trabalho conflituoso.
É sabido que o povo do nordeste tem uma ligação profunda com esta época do ano, momento de celebrar a regionalidade e confraternizar em um ambiente enraizado na nossa identidade cultural. A negativa da empresa, mesmo com anúncio oficial do Governo do Estado, pela instituição de expediente em ponto facultativo, busca indiretamente desconstruir esta identidade regional, carregada de tradição e fé.
Para quem é de fora e gera laços apenas a partir do cálculo da margem de lucro, não consegue se dar conta disso, a exemplo do quadro societário da companhia oriundo do sudeste brasileiro e da transnacional estrangeira Mitisui. A abordagem da cientista social, Maria Amélia Almeida, ressalta isso ao afirmar que “negar a vivência plena desse período [junino] a um grupo social [nordestinos] significa promover um processo de desterritorialização simbólica e de enfraquecimento dos laços que conferem sentido à vida comunitária”.
Thiago Gomes, diretor do Sindipetro PE/PB e da CUT-Pernambuco, aborda que “o dia de hoje é bastante simbólico e didático, ao demonstrar a completa ausência de leitura de contexto por parte da Diretoria. O sócio privado pode acreditar que ganhou o dia, mas perdeu em ambiência, e pior, reforçou um ecossistema de insatisfação. Isso ganha outra dimensão quando a categoria percebe que esse tipo de gestão é proposital, pensada para ser desta forma ou ainda pior, algo persecutório ou revanchista, reforçando a leitura que condenou a Copergás por assédio institucionalizado. Não faz sentido trabalhar nesta data, já que praticamente todo o entorno está em São João. Como falar com clientes que estão nas festividades? Onde os filhos dos trabalhadores vão ficar, se as escolas estão fechadas? Realmente desastroso”, sentencia.
O Sindipetro PE/PB realça a insatisfação dos trabalhadores da Copergás, cobrando da administração da companhia a revisão desses procedimentos que flertam com o abuso.
22 de junho de 2026
Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e Paraíba

